Lixo que vira luxo

Projetos Pedagógicos

Meio ambiente, ao contrário do que muita gente pensa, não é só natureza. Além das árvores, dos rios, das praias, do mar, do ar que a gente respira, o meio ambiente também é nossa rua, nossa casa, nosso corpo e as relações que temos com as pessoas. Por isso é necessário que a escola trate de questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se veem confrontados no dia a dia. Em seguida, relatamos uma experiência escolar positiva para servir como inspiração a outras iniciativas semelhantes.

As temáticas sociais vêm sendo discutidas e são incorporadas aos currículos das disciplinas, especialmente nos de História, Geografia e Ciências Naturais. Comportamentos ambientalmente corretos serão aprendidos na prática do dia a dia na escola: gestos de solidariedade, hábitos de higiene pessoal e dos diversos ambientes.

Ninguém pode negar a importância que o desenvolvimento tecnológico e intelectual tem para a humanidade. O desafio para a educação é trazer esses conteúdos para dentro da sala de aula. O projeto apresentado a seguir foi desenvolvido na Escola Municipal Antônio Augusto de Paiva, em Araxá, MG.

Envolvendo a comunidade

Essa experiência é desenvolvida há vários anos, e acontece durante todo o ano letivo. Tem como objetivo cuidar do lixo da escola, e dar um destino a ele, tornando o ambiente mais agradável. Para tanto, contamos com o apoio dos professores, alunos, pais e, especialmente, motoristas, pois sem sua ajuda seria impossível dar continuidade ao projeto. Nosso primeiro passo foi a conscientização dos alunos sobre a importância da reciclagem, da coleta seletiva, da quantidade de lixo gerado por cada um de nós, o destino desse lixo e da reciclagem.

A preocupação inicial foi tirar o lixo gerado pela escola, que ficava amontoado no fundo do pátio, e montar uma pequena composteira. Para isto pedimos ajuda de um técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão (Emater-MG), que fez uma vistoria no local e constatou que não seria possível devido ao número de alunos e à quantidade de lixo orgânico.

Ficou decidido que faríamos um fosso seco para depositar o lixo da escola. As garrafas pet e as latinhas eram recolhidas nas casas dos alunos e levadas à escola, onde eram trocadas por chup-chup ou pirulito, sendo então vendidas com a ajuda de um dos motoristas.

O dinheiro arrecadado com a venda das latinhas e das garrafas pet serviu para a compra de materiais a serem utilizados com os alunos, como som, aplicador de cola quente, cola etc. As cantineiras fizeram vários cursos para aproveitamento dos alimentos e ensinaram aos alunos a fazer bolo de casca de banana, chás, suco de casca de abacaxi etc.

Nas reuniões de pais, foram expostos os trabalhos dos alunos, com receitas, para apreciação dos mesmos. Além disso, os alunos confeccionaram vários cartões de natal com papel reciclado, comprovando o sucesso do trabalho. Por ser uma escola de zona rural, a coleta de lixo não era feita pela prefeitura, mas em 2006 decidiu-se recolher o lixo uma vez por semana. Foi uma grande vitória que conseguimos para a comunidade.
 

Jane Araujo de Andrade professora da Escola Municipal Antônio Augusto de Paiva, Araxá, MG.
Projeto Pedagógico publicado na edição nº 376, jornal Mundo Jovem, maio de 2007, página 15.
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