Meio ambiente, uma questão de educação

Projetos Pedagógicos

A Escola Estadual Floriano Viegas Machado, da cidade de Dourados, MS, está realizando um projeto chamado ''Meio Ambiente, uma questão de educação''. A escola trabalha com pinturas em muros, orientações através de cartazes e discussões em sala de aula sobre o assunto. O objetivo é mostrar para a comunidade que o meio ambiente necessita de ajuda, que cada vez mais os impactos ambientais crescem.

O projeto da escola teve início em março, quando foi colocada, na entrada da escola, uma árvore seca com saquinhos de água amarrados em seus galhos. E em cada saquinho havia uma flor. Este símbolo fez os alunos refletirem sobre a seca em nosso país e que no futuro só haverá água ensacada e as flores apenas irrigadas.

Depois, em todas as turmas foram exibidos vídeos sobre o destino final do lixo e sobre o desperdício de água, que futuramente trará consequências. A escola também começou um trabalho de reciclagem.

''Foi uma ótima iniciativa da escola. É nela que as pessoas recebem boa parte de sua educação e aprendem a respeitar o meio ambiente, que é ter educação'', comenta a aluna Carina Thomaz Braga, de 14 anos.

As professoras de Ciências e de História trabalham com os alunos cartazes colocando em foco que o meio ambiente está sendo destruído pelo ser humano. As professoras de Educação Artística trabalham pinturas nos muros da escola. No noturno a professora trabalha pinturas com materiais recicláveis. Os professores de Matemática trabalham com os alunos o assunto com dados estatísticos e construções de gráficos em cartazes. A professora de Filosofia representará o projeto através de slides e cartazes, enfocando o consumo solidário. A professora de Química trabalha teatro de fantoches e música dramatizada; a de Ciências do noturno teve como tema o plantio da cana-de-açúcar e a de Inglês frases do Greenpeace. Eles querem mostrar que a arte se junta com a educação, formando um trabalho educador sobre como cada aluno vê o meio ambiente e as futuras consequências das nossas atitudes de hoje.

O projeto encerrou com a apresentação dos alunos para as outras salas, mostrando o que aprenderam com esta iniciativa.
 

Jéssica F. da Silva e Majorie alunas da Escola Estadual Viegas Machado, Dourados, MS.
Projeto Pedagógico publicado na edição nº 380, jornal Mundo Jovem, setembro de 2007, página 15.

O professor de Ecologia

  •      Lá pelos anos de 1940, um jovem gaúcho tinha um problema para resolver. Corria a Semana da Pátria e o seu professor lhe determinara fazer uma redação sobre o assunto. Ele estava em crise de criatividade e ia matutando sobre o que escreveria. Voltava para casa enquanto pensava no trabalho que tinha que apresentar.

         Foi quando passou em frente de uma loja e o que viu era tão diferente que teve de parar. Numa pequena vitrine estavam expostas imagens e desenhos de plantas e bichos nativos. No centro, uma frase alusiva à Semana da Pátria. O expositor conclamava os passantes a declamar seu amor à Pátria defendendo, antes de tudo, a rica natureza do país: o maior patrimônio de todos os brasileiros.

         Aquela vitrine o impressionou de tal modo que resolveu fazer seu tema dentro do espírito daquela ideia. O resultado foi tão bom que teve a melhor nota da turma e acabou lendo seu texto, para todo o colégio, numa cerimônia cívica. Quando terminou de ler, alguém comentou que o jovem tinha, por certo, passado na frente da Loja do Roessler.

         Foi assim que esse jovem teve seu primeiro contato com a defesa da natureza. Mais tarde juntou-se ao grupo de trabalho de Henrique Roessler (ambientalista gaúcho) como colaborador ativo. Anos depois, voltou na mesma loja. Era diretor da Fundação Evangélica e vinha pedir ajuda para um desafio que tinha proposto aos alunos. Seu propósito era recuperar a floresta ao fundo da escola. Na época este espaço era um campo agrícola abandonado.

         O ecologista o conduziu ao monumento do colono e, cuidadosamente, arrancou várias mudas de ipê amarelo que vicejavam na praça; plantas que seriam arrancadas pela limpeza pública. Sugeriu começar por aquelas árvores e ainda se dispôs a fazer uma palestra de estímulo aos alunos.

         O herói é o Professor Schmeling, grande formador de vários ecologistas da cidade de Novo Hamburgo. Tenho orgulho de dizer que fui seu aluno de Ecologia no Ensino Médio, ocasião em que tomei contato com a jovem ciência da Ecologia. Além de mim, vários jovens tomaram as mesmas lições. Boa parte dos fundadores do Movimento Roessler foram seus alunos, tanto que a entidade nasceu na escola.

         Por muitos anos, ele prosseguiu estimulando o trabalho da ONG, sempre de um jeito discreto que ajudou a consolidar o nome do Movimento Roessler na cidade. Escrevo estas linhas para registrar que seu trabalho de professor frutificou em várias conquistas ecológicas na nossa terra. Esse fato nem sempre é reconhecido. Por isso, rendo esta pequena homenagem a este grande professor de Ecologia.


    Arno Kayser,
    agrônomo, ecologista e escritor.
     

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