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O Rosto
Índio
Aquele rosto nativo
Tão desfigurado
Barba, cabelo
Chinelo de dedo
Suor e cachaça
O que me corroeu
Não foi o bafo
Mas o que corroía ele por dentro.
A fome não tem nome
E o abandono faz o homem anônimo
Aquele não era um qualquer
Um dia ele e a sua gente foram os donos
Da Terra Santa, Ilha de Vera Cruz
E agora, ali parado
Mendiga
Um prato de comida
Eu, paralisado,
Nenhuma mísera folha de papel
Se dignaria a registrar a minha indignação.
Antônio de Araújo
Cidade Gaúcha - PR - por carta.