Mensagens
O Homem é o seu inimigo

     Saimos do período do Carnaval. O que fica de notório deste tempo? A certeza de que o homem gosta de festa. Sua dimensão lúdica é fortemente vivida e, hoje mais do que nunca, motivada. O ponto fraco do humano é a sua inquietude; seu desejo contínuo de ter ou de ser. Se observarmos, em toda a história da humanidade, o motor impulsionador das tradições e conquistas dos seres humanos foi a tendência para o alimento do desejo ou dos desejos. Através deles os racionais transformaram as realidades para ser, das mesmas, senhores. Através deles o domínio dos outros passa a ser necessário para que a sobrevivência de um ou alguns seja a satisfação feroz e passional dos demais.

     O que Hobbes afirmou sobre os homens é razoável, não só para a explicação da dinâmica política, mas também para o aprofundamento da questão da existência do Mal e se este é uma simples categoria “inventada” ou “sugestionada” pelos hebreus, e depois pelos cristãos, para fundamentação necessária ao significado do ser de Deus com seus vários atributos. Não precisamos ir muito longe para perceber que o homem é o seu pior inimigo. Basta vermos diariamente as suas várias atitudes que o destroem pouco a pouco. É a violência, o egoísmo, a inveja, a mentira, o ódio, a preguiça etc, que dão azo para os muitos desmandos que abrem uma via média para que o ser humano também precise de comportamentos interativos e respeitosos na sua relação com os demais. Depois da tentativa de afastar a religião como meio de equilíbrio das relações sociais é apresentado o senhor Estado como “magister magistrorum” da organização e harmonia civil. Quem sai dos escritórios e gabinetes verá e sentirá imediatamente que há outros meios imprescindíveis que auxiliam, tanto simbólica quanto concretamente, na compreensão da condição humana que precisa voltar o coração para a fonte maior e universal de todo bem. Sem essa busca o ser humano não tem esperança. Até que ponto pode existir confiança do homem noutro homem? Ela não estaria e seria sempre condicionada ao tempo e ao espaço? Sem essa perspectiva, é justificável que os seres humanos sejam inimigos entre si. Se Deus não existe tudo é permitido, disse o filósofo!

     A Humanidade deve dar passos ao um projeto maior. Porém, o inicio será sempre individual e subjetivo. A ética da responsabilidade de H. Jonas é uma reflexão do sujeito. A discussão sobre o intento que permita uma casa comum será uma busca universal quando o medo fizer parte da vida de todos. Que ninguém tome a sentença de modo elucidativo; mas, como uma possibilidade ainda não cogitada pela maioria que se distancia cada vez mais do amor. Será muito difícil para o próprio ser humano se aproximar de Deus por medo do próprio homem. Oxalá isto não seja miragem apocalíptica!

     Retomemos a reflexão atual e necessária defendida por alguns pensadores da “ética do cuidado”. Tratemos com compaixão, solidariedade amor e renúncias de tudo e todos que nos circundam. Começaremos bem se cada um fizer a sua parte e o que lhe compete onde estiver. Nós só podemos ser filhos do amor; não tem como ser diferente. Quem não acredita e reflete esta verdade biológica, existencial e cultural, continuará sendo inimigo dos seus semelhantes em todos os lugares e nos lugares todos. Assim o seja!


Pe. Matias Soares,
São José de Mipibú - RN - por correio eletrônico
Endereço eletrônico: soaresmatias@hotmail.com


::: Voltar :::

Artigos
Crônicas
Mensagens
Página do Leitor
Poesias e Poemas

Veja também:
Datas Comemorativas
     • Amizade
     • Consciência Negra
     • Dia de Ação de Graças
     • Dia Nacional da     Juventude
     • Direitos Humanos
     • Índio
     • Mãe
     • Meio Ambiente
     • Mulher
     • Namorados
     • Natal
     • Pai
     • Páscoa
     • Pátria
     • Paz
     • Professor
     • Trânsito
     • Volta às aulas
Dicas de Sites
Dinâmicas
Grêmio Estudantil
Grupo de Jovens
Projetos Pedagógicos

Um jornal de ideias:
Conheça o Mundo Jovem

Envie sua Contribuição
clique aqui