- Oh, sim! A humanidade merece usufruir deste meu feito.
Explica-se:
Todo bicho homem é insano. Pratica grandes ações de decência em favor da dignidade e da nobreza. Porém, rebaixa-se em impensáveis atos de indignidade e degradação contra a própria criação. Afinal, o homem moderno também necessita ser revolucionista.
Detalhe:
Somos seres em construção. E o padrão de vida que adotamos é altamente custoso. Custoso ao planeta.
Para a pesca pouco lucrativa, ele criou o radar, localizando e capturando um cardume inteiro de uma só vez. Agora, ele é o predador.
A fim de facilitar a derrubada das árvores, ele aposenta o machado e contrata a motosserra. Mas se esquece de reflorestar.
Provoca o tombamento de matas ciliares, levando os rios a se extinguirem e os seres à escassez.
Desesperada, a mente criadora inventa máquinas potentes, capaz de perfurar o solo a cata d’água. E não se importa com a possibilidade de um mal maior: as escavações abalam a terra. Provocam terremotos, furacões e a crescente erosão.
E depois de tudo isso, o homem fala em desenvolvimento sustentável. Faz projetos, cria ONG’s: conselhos, agendas 21, movimentos sociais e ambientais e outros protocolos. E quer investir na educação, unindo saberes e poderes. Ele se esqueceu que, apesar de a natureza ser progressista, ela é lenta.
Resultado:
O seu equilíbrio foi afetado. Colocamos tudo em risco.
O homem se protege do sol, das chuvas, do frio, dos ventos e da tempestade. No entanto, não está a salvo de si mesmo.
Ele cria, e para cada criação, um novo elemento é danificado. E quem sofre as consequências é a espécie. A mesma espécie humana por quem ele se lançou na difícil arte de criar.
Maria Aparecida Antunes Moreira,
Gameleiras - MG - por correio eletrônico
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