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O Homem e o ato de criar:
Progressão ou Regressão

Numa noite, ao deitar-me
Me peguei pensando coisas
Que o meu espírito inquieto
E a minha mente questionadora
Negavam-se a aceitar.

Perceba:
O homem imagina proezas, tem sonhos e procura demonstrá-los por meio da experimentação. Com isso, perde até mesmo a razão: desperdiça dias e noites em inventos prodigiosos, julgando, já de antemão, que estes facilitarão a vida da espécie. Tomando ares de um deus, maravilha-se consigo mesmo:

- Oh, sim! A humanidade merece usufruir deste meu feito.

Explica-se:
Todo bicho homem é insano. Pratica grandes ações de decência em favor da dignidade e da nobreza. Porém, rebaixa-se em impensáveis atos de indignidade e degradação contra a própria criação. Afinal, o homem moderno também necessita ser revolucionista.

Detalhe:
Somos seres em construção. E o padrão de vida que adotamos é altamente custoso. Custoso ao planeta.

Para a pesca pouco lucrativa, ele criou o radar, localizando e capturando um cardume inteiro de uma só vez. Agora, ele é o predador.

A fim de facilitar a derrubada das árvores, ele aposenta o machado e contrata a motosserra. Mas se esquece de reflorestar.

Provoca o tombamento de matas ciliares, levando os rios a se extinguirem e os seres à escassez.

Desesperada, a mente criadora inventa máquinas potentes, capaz de perfurar o solo a cata d’água. E não se importa com a possibilidade de um mal maior: as escavações abalam a terra. Provocam terremotos, furacões e a crescente erosão.

E depois de tudo isso, o homem fala em desenvolvimento sustentável. Faz projetos, cria ONG’s: conselhos, agendas 21, movimentos sociais e ambientais e outros protocolos. E quer investir na educação, unindo saberes e poderes. Ele se esqueceu que, apesar de a natureza ser progressista, ela é lenta.

Resultado:
O seu equilíbrio foi afetado. Colocamos tudo em risco.

O homem se protege do sol, das chuvas, do frio, dos ventos e da tempestade. No entanto, não está a salvo de si mesmo.

Ele cria, e para cada criação, um novo elemento é danificado. E quem sofre as consequências é a espécie. A mesma espécie humana por quem ele se lançou na difícil arte de criar.


Maria Aparecida Antunes Moreira,
Gameleiras - MG - por correio eletrônico
Endereço eletrônico: ciddamoreira@bol.com.br


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