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edição nº 406, maio de 2010.
O trabalho escravo ainda existe
* O que eu ganho me interessando por política?
* As relações de trabalho mudaram. E agora?
* Adotar é garantir às crianças o direito a uma família
* Grandes religiões: modos diferentes de se dirigir a Deus
É um grande absurdo ainda convivermos com trabalho escravo, que é desumano e fere a Constituição, porque é um trabalho degradante e que cerceia a liberdade. Conversamos sobre este tema com a jovem historiadora Cristiane Marques Oliveira.
Cristiane Marques Oliveira,especialista em Políticas Públicas, Gestão e Práticas Pedagógicas
pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia,
Vitória da Conquista, BA.
Endereço eletrônico:
crismaroli@yahoo.com.br
POLÍTICA E CIDADANIA
Internet e política: participação ou domesticação? (p.2)
Queremos discutir com você as campanhas eleitorais pela internet. Para estabelecermos esse primeiro contato, precisamos compreender que nada no Brasil mudou tanto quanto a forma de se fazer política. Todavia essa transformação é contínua, cotidiana e complexa.
Marlos Mello,psicólogo, Porto Alegre, RS.
Endereço eletrônico:
marlos.mello@ufrgs.br e
Marlos Mello,psicólogo, Porto Alegre, RS.
FILOSOFIA
O ser humano como ser político (p.4)
A dimensão política, que vai interpretar o sentido amplo do ser humano, possui um conjunto de ações pelas quais as pessoas buscam uma forma de convivência que ofereça condições para a realização do bem comum. E, além disso, a política é o exercício do poder e a luta para conquistá-lo.
Isabel Cristina Costa Freire,especialista em Supervisão, Gestão e Orientação Educacional,
assessora filosófico-pedagógica, professora de Filosofia,
São Luís, MA.
Endereço eletrônico:
filocoruja@yahoo.com.br
JUVENTUDES
Por que participar da política? (p.5)
Nove entre dez jovens consideram a política uma atividade para espertalhões que ganham uma fortuna para enganar o povo. Eles não deixam de ter alguma razão. De fato, pode-se contar nos dedos os políticos que se devotam realmente ao serviço do povo.
O Analfabeto político
(Bertolt Brecht)
ECOLOGIA
A estatística e as mudanças climáticas (p.6)
Estatística é uma arte curiosa. Pode-se provar qualquer coisa com ela. Depende do que usamos como referência. Esse fato, que é uma decisão pessoal e parcial, permite que qualquer um prove o que lhe pareça, a priori, a verdade mais acertada.
PROJETO PEDAGÓGICO
Intercâmbio sobre água (p.7)
“A criança ou o adolescente que participa de movimentos que promovem cidadania não permanece da mesma forma que era antes de fazêlo. É impossível, por exemplo, participar de um intercâmbio com pessoas do semiárido que valorizam a água de forma ímpar e permanecer em casa desperdiçando ou deixando que se desperdice a água. Ou seja, uma ação efetiva gera mudanças também efetivas.”
Conheça essa prática pedagógica:
Karine Carvalho,jornalista e assessora da Campanha Uma Ação para
Crianças, da CESE, Salvador, BA.
Endereço eletrônico:
acaoparacriancas@cese.org.br
GEOGRAFIA
Operação Condor e a repressão das ditaduras (p.8)
Durante a década de 1970, algumas ditaduras militares da América do Sul ensaiaram uma forma precoce de associação, na chamada Operação Condor. Esta foi uma articulação multinacional entre as forças de repressão dos países da América do Sul, envolvendo Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Paraguai.
André Luiz Reis da Silva,doutor em Ciência Política e professor de Relações Internacionais da UFRGS,
Porto Alegre, RS.
Endereço eletrônico:
reisdasilva@hotmail.com
HISTÓRIA
Capitanias hereditárias
O berço do latifúndio brasileiro (p.9)
O Brasil é o segundo país do mundo de maior concentração da propriedade da terra. Perdemos apenas para o Paraguai. Mas o Maranhão, que é maior do que o Paraguai em extensão, é a região do planeta onde os latifundiários são donos da maior parte das terras do território. Assim, a taça de campeões do mundo em concentração da propriedade de terras é nossa, vergonhosamente!
João Pedro Stédile,
economista, formado pela PUCRS, especialista em questões
agrárias e membro do MST e da Via Campesina Brasil.
TECNOLOGIA
Não basta dominar a tecnologia.
É preciso saber pensar (p.10)
Houve, nos últimos anos, uma brutal transformação do trabalho. E, na forma rápida como aconteceu, ela deixou muitos trabalhadores à margem desse processo. Porque o núcleo central dessa transformação é a capacidade intelectual, que tenha um conteúdo e possa criar a partir desse conteúdo.
Atividade:
Pensar para construir a vida
Organizar o ambiente de forma que fique aconchegante. Colocar uma música instrumental para contribuir com a concentração do gr upo. Distribuir para cada jovem uma folha de papel.
Cada estudante será convidado a registrar individualmente:
• O que espera de sua vida.
• Os valores e princípios que orientam sua vida atualmente.
• Os espaços para desenvolver a criatividade que encontramos por onde passamos (casa, trabalho, escola, amigos...).
O professor pode conduzir harmoniosamente os registros para que sejam feitos um de cada vez. Após concluir os registros, todos estarão livremente convidados a compar tilhálos. Na medida em que compartilham, os papéis vão sendo colocados no centro da roda. A produção pode ser colada em um cartaz e exposta na sala de aula.
Carlos Nelson dos Reis,diretor do Instituto de Pesquisa e
Desenvolvimento (Ideia), da PUCRS.
Endereço eletrônico:
cnelson@pucrs.br
SOCIOLOGIA
O trabalho não é mercadoria! (p.11)
Viver para trabalhar ou trabalhar para viver? Viver sem trabalhar ou trabalhar sem viver? Esses dilemas atravessam os tempos. Agora, mais do que outrora, são centrais porque a globalização neoliberal está colocando o trabalho na gaveta do capital. Trata o trabalho como uma mercadoria, igual à terra, à água, à energia etc.
Dirceu Benincá,professor nas Faculdades Federais
da Fronteira Sul, Erechim, RS.
Endereço eletrônico:
dirceuben@gmail.com e
Antonio Alves de Almeida,doutorando em Ciências Sociais pela PUC/SP.
PSICOLOGIA
O trabalho do jovem e as marcas da criação (p.14)
Nossa cultura determinou que é na juventude o tempo propício para a definição da dimensão profissional. Escolher a carreira a ser seguida é uma das grandes aventuras desse período. A ansiedade, o medo, a dúvida, a curiosidade e uma imensa alegria são os componentes dessa que é uma das grandes descobertas que fazemos sobre nós mesmos.
Samba Makossa
Intérprete: Charlie Brown Jr.
Composição: Chico Science
Samba maioral,
Onde é que você se meteu
Antes de chegar na roda, meu irmão?
Eu disse, samba maioral,
Onde é que você se meteu
Antes de chegar na roda, sangue bom?
A responsabilidade de tocar
o seu pandeiro
É a responsabilidade de você
manter-se inteiro.
É de você manter-se inteiro, inteiro.
Por isso chegou a hora
Dessa roda começar.
Samba Makossa da pesada,
Vamos todos celebrar.
Para assistir ao vídeo desta música:
Liciana Cabral Caneschi,mestre em Psicologia, especialista em Juventude,
orientadora educacional, Rio de Janeiro, RJ.
Endereço eletrônico:
licaneschi@gmail.com
VIDA SAUDÁVEL
A saúde dos trabalhadores não vai bem (p.15)
O trabalho empresta uma identidade. Em qualquer atividade social, somos estimulados a informar a profissão e, a partir daí, além do nome, se ganha um sobrenome profissional: José da Silva, o jornalista; Maria José de Souza, a advogada. Ter saúde é decisivo para trabalhar. Ao mantê-la e desenvolvê-la, aumentam as possibilidades de se atingir os objetivos pessoais.
CIÊNCIAS NATURAIS
Evolução, extinção e o equilíbrio da Terra (p.16)
A evolução das espécies é um fato incontestável, um debate superado há mais de 100 anos entre os cientistas. Algumas correntes religiosas fundamentalistas procuram questionar, mas a maioria aceita com tranquilidade. Os debates atuais são sobre como ocorre a evolução e o que fazer para preservar as espécies da ação destruidora dos seres humanos.
EDUCAÇÃO
EJA: tempo de inclusão (p.17)
Falar em educação de jovens e adultos é lembrar que esse é um tipo de educação voltada para homens e mulheres que chegam à escola com ricas experiências de vida. Seus vários saberes em momento algum devem ser desprezados, pois compõem suas identidades.
Fóruns de Educação de Jovens e Adultos
Desde 1996, preparando a participação do Brasil na V Conferência Internacional de Educação de Jovens e Adultos (Confintea), que aconteceria na Alemanha, em 1997, um novo movimento surge em nosso país.
Diferentes instituições como organizações não governamentais, secretarias estadual e municipal de educação, empresas privadas, universidades, sindicatos, professores e alunos integram-se para debater sobre a temática de EJA, em seminários regionais e nacionais. Surgiam então os Fóruns de EJA.
Atualmente em todos os estados do país existe representação em fóruns estaduais, regionais e municipais, de acordo com diretrizes locais.
Os Fóruns de EJA são uma nova forma de se fazer política, envolvendo os diversos atores, com objetivos comuns, em torno do aprimoramento desta modalidade de ensino.
Para saber sobre o Fórum de EJA de seu estado, acesse: www.forumeja.org.br
Sandra Soares Sarmento,pós-graduada em Psicopedagogia e graduada em
Pedagogia, educadora de jovens e adultos,
São João do Rio do Peixe, PB.
Endereço eletrônico:
sw.san@hotmail.com
ARTE E CULTURA
A música brasileira e seus novos caminhos (p.18)
Caminhando para o fim da primeira década do século 21, já é possível identificar um traço comum entre os artistas surgidos na música brasileira a partir dos anos 2000? Será esta uma geração de artistas à altura de nossa tradição? Essas perguntas demonstram que ainda figura um desejo de organização de um tempo, em que se consiga reunir argumentos para qualificar, para o bem e para o mal, determinada época.
LÍNGUA E LITERATURA
Desvendando a nova ortografia (p.19)
A partir do momento em que a mídia passou a divulgar o novo acordo ortográfico, surgiu, no ambiente escolar, uma intensa preocupação a respeito do assunto. E agora? Como vai ser? Temos de estudar tudo
de novo? E se escrevermos errado?
Sugestão de Leitura e Consulta:
Guia prático da nova ortografia, de Paulo Flávio Ledur, Editora AGE.
Gorrinho, uma loucura crônica, de João Pedro Roriz, Editora Paulus. Este livro trata de diversos assuntos polêmicos para serem discutidos na sala de aula, como as novas tecnologias, questões políticas, sustentabilidade e um capítulo que aborda a nova ortografia.
Síria Maria Christ Birck,professora de Língua e Literatura na Escola Don Luís Guanella e
Colégio Estadual Japão. Porto Alegre, RS.
Endereço eletrônico:
siriamcb@yahoo.com.br
PAIS E FILHOS
Adotar: uma outra forma de ter filhos (p.20)
Falar sobre adoção requer um novo jeito de olhar para o fato de ter filhos. Adotar é apenas uma outra forma de filiação possível. Entretanto, na sociedade atual, a adoção ainda é vista como último recurso, principalmente para aqueles casais impossibilitados de ter filhos biológicos.
Instituto Amigos de Lucas:
Fundado em 1998, é uma organização não governamental (ONG) que trabalha pelo direito da criança e do adolescente de viver em família, seja ela biológica, ampliada ou substituta. Entre outras ações desenvolvidas está o Programa de Apadrinhamento Afetivo para Crianças e Adolescentes dos Abrigos do RS e o Programa Famílias Acolhedoras. Para saber mais acesse:
www.amigosdelucas.org.br e
www.apadrinhamentoafetivopoa.ning.com
Lizianne Cenci,psicóloga e coordenadora de Programas e Projetos do Instituto Amigos de Lucas,
Porto Alegre, RS.
Endereço eletrônico:
paapoa@yahoo.com.br
ESPIRITUALIDADE
A maternidade e a fecundidade da vida (p.21)
A maternidade é uma das maiores glórias da mulher e uma das experiências mais profundas do amor humano e divino. Mas, para que essa valorização seja plena, deve abarcar todas as dimensões da vida humana. Para isso, precisamos da contribuição de homens e mulheres que se colocam na defesa e valorização da vida.
Agenor Girardi,padre, missionário do sagrado
coração (msc), Francisco Beltrão, PR.
Endereço eletrônico:
agenor@wmail.com.br
ENSINO RELIGIOSO
Uma história de múltiplas tradições religiosas (p.22)
A história da humanidade pode ser lida como uma história de construção de grandes tradições religiosas. De uma forma didática, podemos destacar três grandes “conjuntos religiosos”, que entendo como importantes para a nossa reflexão.
José Ivo Follmann,
padre jesuíta, doutor em Sociologia das Religiões, professor e integrante do programa Gestando o Diálogo Inter-Religioso e o Ecumenismo (GDIREC), Unisinos, São Leopoldo, RS.
Endereço eletrônico:
jifmann@hotmail.com
CURTAS E DICAS
Pelo prazer de ler (p.23)
Diário de um adolescente hipocondríaco e O diário de Susie
“Peter Payne e sua irmã mais nova Susie são cheios de dúvidas e curiosidades, como a maioria dos adolescentes. Os livros Diário de um adolescente hipocondríaco e O diário de Susie contam as aventuras desses jovens e os muitos assuntos que mexem com as suas cabeças: conflitos familiares, mudanças no círculo de amizades, descoberta do amor e da sexualidade, depressão, drogas... Escritas por dois especialistas em saúde nas escolas (os ingleses Aidan MacFarlane e Ann McPherson), as obras são baseadas em pesquisas e situações reais vividas por jovens. Com narrativa divertida, trazem diversas orientações, especialmente de temas que são cercados de tabus e vergonha. Podem ser adquiridos em lojas do ramo ou pelo site da Editora 34:
www.editora34.com.br
Site (p.23)
Combate ao trabalho escravo
A participação da sociedade é importantíssima para abolir de vez essa que é uma das maiores violações dos direitos humanos. O site da ONG Repórter Brasil traz a lista suja (empregadores flagrados com trabalho escravo), notícias sobre escravidão e informações para conscientizar trabalhadores e a população em geral. Acesse: www.reporterbrasil.org.br
Outra forma de participar é assinar o abaixo-assinado pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 438/2001), pela qual seriam confiscadas as terras de quem utiliza trabalho escravo.
Acesse:
www.trabalhoescravo.org.br/abaixo-assinado
Filme (p.23)
Uma lição de amor
Mães que abandonam, mães sem tempo, mães adotivas... Quem pode cuidar de Lucy, abandonada pela mãe ao nascer? Qual a melhor família para ela? O filme emociona e faz pensar sobre as questões da maternidade, da paternidade e do direito da criança. 2001. 133 min.
CURTAS E DICAS (p.23)
Zilda Arns Neumann (1934-2010)
Médica sanitarista, mãe e avó, ampliou sua maternidade dedicando-se a melhorar a qualidade de vida de crianças empobrecidas, através da Pastoral da Criança. Hoje, uma rede de mais de 200 mil voluntários presentes em vários países se dedica ao acompanhamento de gestantes e do desenvolvimento de quase dois milhões de crianças. Zilda morreu no Haiti, acompanhando esse trabalho e reafirmando sua convicção materna:
Zilda Arns Neumann (1934-2010)
“Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe dos predadores, das ameaças e dos perigos e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los” (último parágrafo de sua palestra).
Trabalhar e ser feliz: uma equação que podemos combinar.