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Cadê a Amélia?
Débora Cagliari
Carlos Barbosa - RS

     “Dizem que a mulher é o sexo frágil, mais que mentira absurda”, já dizia a canção de Erasmo Carlos. Ela conquistou um de seus direitos na década de 30: o de votar. Passadas as eleições de 2008, é oportuno mencionar que além do direito de votar, as mulheres somaram 21,38% das candidaturas e isso vem ao encontro de quanto a mulher está conquistando o seu espaço como cidadã política. Mulher de cama e mesa é passado.

     A figura feminina da sociedade atual é batalhadora, tem profissão, é estudante, dona de casa, mãe, esposa e mulher. Desta forma, as indústrias criaram máquinas, alimentos enlatados, congelados, tudo para substituir as tarefas domésticas e facilitar essa evolução. A pílula anticoncepcional fez com que a mulher deixasse de dar a luz desordenadamente tendo a opção de um planejamento familiar e o cuidado pessoal fez com que não existisse mulher feia, apenas sem dinheiro. A “Amélia” passa despercebida diante da mulher moderna.

     Sobretudo é notável que ainda existam mulheres, seja pela falta de autoestima ou pela repreensão machista de seu convívio social, gostariam de trabalhar, estudar, ter sua liberdade de agir e expressão, e são silenciadas pela soberba masculina.

     Apesar de toda a conquista que a mulher obteve nas últimas décadas me questiono se não seria melhor ser somente a Amélia, afinal a mulher só ganhou jornada tripla de trabalho e o seu real valor, na maioria das vezes, não é reconhecido: a de profissional competente, que tendo o mesmo cargo masculino é menos remunerada, a de mãe exemplar e a dona de casa feita de esmero.

     Alguns costumes se perderam nesta trajetória: o pão de forno assado na palha de milho, o blusão de tricô, os guardanapos decorativos de crochê, princípios que viraram cafonas nos tempos atuais. Será que a Amélia não era a mulher de verdade?

     Mesmo que existam contradições, ser ou não ser Amélias, às vezes não é opção, pois cada qual vive dentro de seu contexto estereótipo e o importante é que a mulher seja valorizada não somente no dia 08 de março, mas todos os dias.

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