Crônicas
Os pinus e os jacarandás
Os Pinus tropicais são originários da América Central e se adaptaram facilmente às condições de solo e clima brasileiros. Possuem crescimento rápido com relação aos Pinus taeda e elliottii que são provenientes de climas mais frios. Plantios recentes demonstram este rápido crescimento das espécies tropicais, sendo que árvores com aproximadamente dois anos apresentam alturas superiores a 3 metros. São plantas com madeira mole, geralmente utilizada para a construção civil e fabricação de móveis, feitas em forma de compensado.
O jacarandá é uma árvore natural do Brasil, especialmente dos estados da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, de folhas penadas, flores esbranquiçadas, frutos membranosos e madeira rija, de cor negra e muito resistente. É comumente utilizada em obras de marcenaria de luxo e na fabricação de pianos e também está em perigo de extinção.
Ambas as plantas são cultivadas no Brasil, mas cada uma, a seu tempo, tem sua importância, e, assim o é também na questão dos valores, costumes e educação. Na vida das crianças e jovens existem muitos valores adquiridos. Alguns como os pinus, apenas por um tempo. São aqueles aprendizados que mudam com a moda cotidiana que, com as primeiras intempéries acabam se quebrando, rompendo e não mais tendo valor. Porém, na vida de cada pessoa existem valores que são como os jacarandás, nobres, resistentes e eternos.
O primeiro valor na vida de cada ser é o convívio familiar. Não importa se se vive com mãe e pai, mãe e padrasto, pai e madrasta, avós, etc. O afeto do lar é o primeiro e mais duradouro sustentáculo para a vida da pessoa. Pautada nesse esquema de certa harmonia doméstica é que os futuros cidadãos conseguirão ter bases para os novos aprendizados do convívio social, do contrário, encontrará dificuldades enormes e se viverá a imediates do pinus, sem a durabilidade do jacarandá.
No meio educacional também temos os mesmos moldes de pinus e jacarandás. O docente sabe que o conteúdo e a formula de aplicação que o mesmo faz da matéria é que ajudará o discente a ganhar base no aprendizado. Profissionalmente quando bem sustentado o aluno, teremos pessoas capazes de desempenhar funções a qual foi preparada, do contrário, teremos profissionais “compensados”. Utiliza-se por um período curto de tempo e depois descartamos.
José Antônio Leandro Filho,Filosofo, Teólogo e Psicopedagogo. Professor de filosofia na rede estadual de São Paulo e Filosofia, Sociologia ética e cidadania na Uniesp de Presidente Venceslau - por correio eletrônico
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