Crônicas
Chove no Sertão

Depois de meses sem chover no sertão
A chuva cai majestosamente
E tudo vira festa,
Ouvem-se músicas por todo lado
Desde o sapo na lagoa ao canto alegre do lavrador.
A natureza parece livrar-se de um castigo
Ao mesmo tempo em que se sente recompensada
Com tamanha beleza.
Ouvir o tilintar dos pingos no telhado
É uma felicidade inenarrável
Que só o sertanejo sente
Ver a caatinga ir desabrochando o seu verde
Quando aos olhos desavisados parecia morta
É uma das mais lindas magias que possa existir
Quiçá a mais exuberante.
Não há nada mais belo do que ver
Os pingos de chuva caindo e trazendo vida
Às mais minuciosas obras da natureza
Tudo renasce e transforma-se,
Inclusive a poesia
De quem tão fascinante visão, não passa despercebida.
Como não poetizar
Ao ver a vida renascendo e sentir em tudo
A presença
Daquele que tudo criou minuciosamente
Detendo-se em cada pequeno detalhe
E fazendo tudo divinamente maravilhoso?
A chuva cai tão alegremente por aqui
Que é difícil imaginar que por negligência humana
Tão rara beleza para outros é motivo de desespero.
Quisera o dia em que todas as chuvas fossem de felicidade!


Virgínia Santana,
Anísio de Abreu - PI - por correio eletrônico
Endereço eletrônico: brisasantana@hotmail.com


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