Crônicas
Árvore da Felicidade
Seis horas de uma manhã indefinida, talvez comprida pelos raios do sol, anunciando os pássaros felizes, cantando em seus ninhos, e abençoando as crianças de mãos dadas passeando pelas calçadas, rindo do tempo, cenário de momentos inesquecíveis a serem eternizados ou pelo prenúncio das chuvas que derramam lágrimas de felicidade ao atender os reclamos dos plantadores cheios de dores em suas terras castigadas pela seca.
Não seria por um alvorecer de tristeza, recheado de acontecimentos indesejáveis, desenhados pela fúria da natureza, dona da revolta e da destruição de árvores, represas, pontes, estradas, casebres e da inundação das ruas e dos horizontes refletidos pelos choros daqueles que perderam seus entes, seus documentos e sua dignidade, condição imprescindível de um cidadão ou, ainda, daquelas mãos que se dizem detentoras da ignorância, da inveja, da discordância e dos empregos mesquinhos traçados e praticados pelos atos da maldade.
Espero e tenho certeza que a primeira opção vem pelas mãos de Deus e bem recebida, não só por mim, mas, por todos, sem distinção de raça, cor, credo, posição social ou nacionalidade, com emoção de cada um e em todos os lares, acompanhada pelo brilho das estrelas, das águas, dos rios e dos mares.
Busco através do meu silêncio, amigo das minhas reflexões, uma releitura de alguns dos meus poemas, onde ali alcanço essa felicidade tão almejada, tão perto e tão distante ao mesmo tempo entre os cristais dos sentimentos, que me lançam ao mundo da perfeição, da busca de uma sombra advinda de um sentimento inatingível, onde os gestos amigos são distribuídos espontaneamente e a mente, tão quente, só produz o hormônio do bem querer, do bem estar e da mais transparente solidariedade.
Não vou negar à invasão da iluminação da lua, à corrida dos sorrisos estampados nos rostos doces de cada ser, que transpira a simplicidade, à candura mais pura envolta em seu véu e ao querer da festa alegre de um chamamento lapidado pelas emoções geradas pelas relações tão nobres e recíprocas, sem quaisquer motivos reles.
Sombra de silêncio ameno, correndo pelo campo da imaginação, beirando o esquisito da quimera, fonte da busca de um porto seguro que clareia a obscuridade dos desenganos, dos desmantelos emocionais e das cadeias de sentimentos, cheios de vícios, de sacrifícios moldados e sobrados pelo oferecimento dos preceitos sociais, doentes demais.
Não quero mais nada... Quero apenas colher os frutos e conquistar o topo da árvore da felicidade, a qual se encontra tão linda, tão silenciosa, tão amiga, tão verdadeira e tão fiel. Somos tão cegos neste mundo atroz, porque ela está bem dentro de nós.
José Ventura Filho,João Pessoa - PB - por correio eletrônico
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