Crônicas
Ao Clemilton, com muita amizade

     Não lembro exatamente o mês e nem sei precisamente como, só guardo que há dez anos compartilhamos nossas fragilidades profissionais, algumas de nossas capacidades pessoais; falando de aulas, concursos, livro, autores... carrego isso de modo muito positivo com a sensação de que sempre dissemos um ao outro quando necessário o que considerarmos prudente dizer.

     Por isso, quando naquela manhã de 20 de abril em que o vi liderando a caminhada de professores mais tarde avançando no discurso pautado na legalidade, entendi, não fomos feitos para humilhações e tão pouco para bajulações, conjeturei que estávamos prontos para sobreviver a tudo e mais um pouco porque tu, especialmente tiraste fôlego, energia e muita vontade para que valesse a estrofe do poema Cúmplices” Nossa vida/construímos/a cada passo/ de mãos unidas”. Reconheci minha passividade, meu aparente discurso divergente; mas quebramos mitos, derrubamos preconceitos e embora poucos tenham entendido a corda realmente quebrou do lado mais fraco.

     Do lado de lá, funcionários públicos iguais a nós, quiçá sem reconhecimento duvidavam de nossa empreitada, afastavam-se para não serem contaminados, diziam entre si: “isso é balela, não conseguirão nada”; houve entrevistas, desabafos inflamados na emissora de rádio particular, houve ameaça, insultos por parte de edil, nada esterilizou nossa persistência. Ficaste bravo,em algumas vezes foste intransigente, pareceu convencido em cada vitória e então ficou tudo registrado , teu dinamismo, tua coragem, foram o acionador certo para transformar “um desconhecido sindicato “em entidade autônoma e seria em suas reivindicações. Contigo, mostramos que não fomos treinados para o terrorismo ou para a covardia, fomos treinados com entusiasmo para o estudo, para a luta organizada, a persuasão através da palavra e do conhecimento. A situação em grande parte, por teu mérito não deteriorou, mostrando que não estamos em situação inferior a quem está no poder, estamos pelo contrario em condições de superioridade em vários aspectos.

     Chega então a hora das negociações, a possibilidade real de mostrar que tivemos atitudes, escolhemos nosso lado e que o futuro não vai além do que nossos olhos alcançam. Tu, foste ao meu ver, nesses quarenta dias de luta, o homem que aprendeu e ensinou a conter os impulsos, mostrando para nossos representantes que não se deve enxergar somente o que está à frente. Eu seria mais uma vez injusta , se não contasse sobre minha comodidade, materialmente percorri caminhos divergentes, mas vislumbrei igualmente a superação, a conquista, o reconhecimento. Amigo providencial e incansável, teus filhos saberão dessa história,revendo fatos e fotos, terão muito orgulho de ti.

     Por ultimo, trago uma citação de um pensador desconhecido “ o objetivo real da vida não é ser feliz. É ser útil, honrado, fazendo com que nossa vida faça alguma diferença”Essas s]ao as minhas palavras e a certeza de que a sorte, a felicidade o amor estão do lado daqueles que lutam para obtê-los. Obrigada meu caro por tua capacidade, obrigada por acreditar no estudo, na leitura freqüente, obrigada por oportunizar essa história de bravura, honradez, integridade e eu a fiz para ti, Clemilton, com muita, muita amizade.


Nilma da Silva,
por correio eletrônico
Endereço eletrônico: sodrenilma@hotmail.com


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