Crônicas
A porta secreta
Senti, na sola dos meus pés, a areia seca e áspera daquele deserto. Levantei-me lentamente com os cabelos a turvar a visão. O suor registrava o cansaço no corpo. Caminhei por alguns dias sobre a rota Sonhos-Perdidos em busca de uma chave.
Passei por noites ao relento e por tempestades de areia. Senti fome, sêde, frio e medo. Estava perdida num labirinto de mim mesma e não encontrava a saída. Na rota Sonhos-Perdidos havia uma porta secreta. Mas do que adiantaria encontrar a porta se eu não tinha a chave?
Lembro-me que numa noite, desamparada sobre a ríspida areia, eu pensei em dar Adeus à minha consciência. Até que percebi um feixe de luzes no céu.
As estrelas brilhavam uma a uma me indicando um caminho. Então a esperança me fez segui-las... Cheguei até uma poça d’água perdida naquele deserto árido. Uma chave estava ali, imersa em vida translúcida.
Peregrinei por algumas horas e avistei uma porta no final do trajeto. Ao abri-la, a surpresa: Reencontrei-me com velhos sonhos! E sinos celestiais ressoaram e sussurraram algo dentro de mim: “Todas as portas se abrem quando o amor bate do outro lado! Jamais abandone os sonhos, a pureza, a fé e o amor, pois eles compõem a chave mestra que abre todas as portas do sucesso.”
Aprendi que a mais árdua e bela das peregrinações é aquela em que percorremos ruas e becos de nós mesmos.
Nathalia Wigg,Rio de Janeiro - RJ - por correio eletrônico
Endereço eletrônico: wigg15@terra.com.br