Uma nova organização do espaço/tempo escolar

Artigo sobre a organização do espaço escolar, inclusão social, preparação para o trabalho

Segundo a LDB 9394/96, a educação escolar deve vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social, tendo como finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho.
No Ensino Médio atual "qualificar para o trabalho” significa desenvolver nos alunos as múltiplas potencialidades, sem restringir-se à simples preparação para um ofício específico, posto de trabalho ou profissão. Assim a escola reconhece sua função social e política, determinada pelo seu papel de formadora para o exercício da prática produtiva e da cidadania.

Os novos perfis ocupacionais requerem habilidades intelectuais e comportamentais que são desenvolvidas na Educação Básica, como: raciocínio lógico, capacidade de comunicação verbal e escrita, capacidade de resolução de problemas, trabalho em equipe, compreensão de textos, julgamento crítico, raciocínio abstrato, responsabilidade, equilíbrio emocional, relações interpessoais, iniciativa, dinamismo, e outras tantas, que constituem a formação geral do educando.

Qualquer que seja o setor onde o jovem atue ou pretenda atuar, desenvolver tais habilidades e competências significa estar em busca da empregabilidade, apesar de que isso não garanta o emprego, muitas vezes, desejado.

Considerando as novas competências exigidas do profissional da educação, como a de negociar novas maneiras de administrar o tempo e espaço escolar, buscando a permanência do aluno na escola; desenvolver oficinas optativas para os alunos do curso de Suplência - Fase III (equivalente ao Ensino Médio) tornou-se uma forma de atender não só  determinação da Secretaria Estadual de Educação, mas também, às reais necessidades dos alunos trabalhadores.

As oficinas são organizadas conforme as habilidades dos professores e visam a atender aos interesses dos alunos, visto que muitos já trabalham e outros pretendem ingressar no mercado. No primeiro semestre, desenvolvemos trabalhos como: atendimento ao cliente, introdução ao turismo, matemática financeira básica, raciocínio lógico, teatro, artesanato, inglês-conversação etc. Os professores trabalham de forma cooperativa na organização dos trabalhos (outra nova competência do profissional da educação) e os alunos participam conforme seus interesses e aptidões.

No Curso de Suplência, que atende a alunos defasados na idade/série porque não tiveram acesso à escola ou porque não continuaram os estudos na idade própria, nota-se um grande interesse quando o assunto é trabalho. A questão da evasão escolar e da distância entre teoria e prática fica mais fácil de ser enfrentada quando se propõe estudos optativos para os alunos.

É claro que a escola básica não vai resolver o problema do desemprego como também não vai preparar mão de obra qualificada, mas sem habilidades intelectuais e comportamentais desenvolvidas, a exclusão é maior.

A escola sozinha não garante nada, mas uma boa escola colabora para a inclusão social e a realização pessoal do ser humano.

Abigail de Cássia Damasceno Brito Supervisora Escolar, da Escola Leandro Escobar, Guarapari, ES.
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