Motivação em educação? Por onde começar?

Artigo sobre Motivação na educação e do professor, a realidade do educador

Esta é a nova dinâmica social. Aquela estritamente voltada para o lado da produtividade, do acúmulo positivo de resultados que agradam um lado da moeda, que fazem das relações trabalhistas e profissionais, uma relação unilateral instável. É um mecanismo controverso, exige o máximo, oferece o mínimo. Apresenta propostas, exige resultados, insatisfaz-se quando os objetivos não são plenamente alcançados, não percebe que na relação de motivação em que os resultados são na verdade o propósito, o único caminho não é exigir, e sim, compartilhar.

Nesta perspectiva, motivação torna-se sinônimo de entender como os diversos organismos psicológicos funcionam, o que cada um precisa para satisfazer-se moral e pessoalmente.

Motivar é conduzir alguém à satisfação de sentir-se entusiasmado por algo ou alguém. Entusiasmar-se é redescobrir motivos pelos quais valha a pena a luta. Dentro do plano da educação existem poucos destes motivos. Os entusiasmados são a minoria, a luta já não representa uma tentativa de resistência, a crença no que se faz é cada vez menor. Não se motiva quando não se tem motivos, quando não se é motivado. Não se produz entusiasmos quando não for capaz de entusiasmar-se com o que faz. Não é digno para o mestre refletir nos seus discípulos uma verdade que não o habita.

O pessimismo não é a virtude deste diálogo, tal qual as inverdades também não são. Não bastam discursos demagógicos vangloriando o papel do mestre, do educador, professor ou até mesmo orientador pedagógico e facilitador. Não bastam boas propostas, ótimos argumentos, lições de autoestima com palavras que acalentam a alma. O mestre, educador, antes de se tornar um motivador, deve ser motivado, deve sentir-se orgulhoso do que faz, produz, reproduz. Deve buscar os resultados quantitativos numa planilha qualitativa, não deve ser visto como instrumento, como meio para atingir objetivos, uma flecha para um alvo, deve ser o duto de ar que carrega o oxigênio para a vida em um ambiente isolado, como a possibilidade de fuga para redescoberta de que a vida só vale a pena quando a mente ganha liberdade para pensar, agir e produzir com autonomia, criatividade e autenticidade.

Talvez seja essa motivação que falta aos mestres, afinal qual é o papel de um mestre dentro de um sistema educacional que funciona com receitas pré-estabelecidas, com dogmas inquestionáveis, moldes pré-fabricados de mentes que não descobriram que a educação é um meio para a libertação, que a libertação do corpo não reluz a verdadeira liberdade, que a mente é a verdadeira arma do ser e o grande instrumento da humanidade dentro desta odisseia que é a vida terrena.

Educar para a vida, para a sociedade, para o mundo, preparar para o exame, o teste, o concurso pela sobrevivência. Educar tornou-se algo quase impossível, às vezes insuportável. Não existem motivos. Prazer é algo cada vez mais distante da realidade. A realidade, esta sim, é lamentável. Basta pensar nos cursos de licenciatura, relegados ao esquecimento, esvaziamento, a ociosidade de vagas que são rejeitadas pelo seleto grupo de alunos que rejeitam o ofício de mestre, que veem no magistério e licenciatura, toda a marginalidade do sistema, que percebem nos olhos dos mestres todo o labor de uma vida dedicada a engrandecer pessoas, construir cidadania, formar intelectuais, políticos, economistas, juristas e todos; que sem este labor, dificilmente atingiriam seu clímax profissional e pessoal. Este ofício, sem dúvida o mais difícil dos ofícios, antes de qualquer argumento, precisa de motivação, para depois se tornar motivador.

Advém da nossa realidade o questionamento que a sociedade deve fazer com relação ao papel do educador. Deverá ele ser um motivador, ou precisará ser motivado? O que é motivação no âmbito da docência? Como conduzir o educador a um clímax que o conduza a uma situação contagiante com relação ao educando? Será que as discussões estão sendo dirigidas à raiz do problema, ou são ventanias que sopram as folhas secas que caem ao chão?

Educar tornou-se uma arte, um sacrifício que só por amor seremos capazes de suportar. Toda discussão volta-se para o educando, o foco das atenções é o resultado que se produz sobre os outros, não se discutem metas com os objetivos voltados para a motivação do educador. Afinal, o que serve de motivação para o educador?

A nossa realidade, totalmente adversa a todas as práticas pedagógicas discutidas, tem mostrado uma saturação do papel do mestre, educador, no processo ensino e aprendizagem. Um sistema débil se formou em torno de discursos pedagógicos e teorias quase que insanas, a teorização da prática educativa debilitou a relação de aprendizagem, trazendo à tona exigências profissionais que fazem do educador uma marionete nas mãos dos teóricos e pedagogos que desconhecem a verdadeira realidade educacional.

Os discursos, quase sempre importados, revelam uma realidade anos luz à frente das nossas reais possibilidades estruturais e funcionais. O mundo contemporâneo destes debates não é o mesmo em diversas regiões do planeta; as realidades da globalização das ideias não atingem em proporções e qualidades equivalentes nos diversos cantos do planeta, destarte a implementação das ideias vigentes torna-se uma utopia educacional, não por falta de mérito do corpo docente, e sim pela incapacidade estrutural e funcional que impede uma relação de funcionalidade entre o sistema educacional, o mestre e o educando.

Os demagogos que se ponham a criticar, usem, já que podem utilizar o discurso de estarmos sendo retrógrados, de estarmos tentando atropelar as práticas pedagógicas contemporâneas dos nossos filhos e netos. Mostrem-nos, dentro da realidade de cada lugar as possibilidades reais das práticas professadas. Exijam do mestre o que de fato poderiam cumprir se estivessem em seu papel. Façam do seu debate uma defesa do justo, equitativo, capaz de transformar a realidade com modelos palpáveis, visíveis, reais. Não percam tempo com teorização de utopias que em nada contribuem para o aperfeiçoamento do educador, para a melhoria do sistema educacional, para o engrandecimento dos reais potenciais do educando. Sejamos justos apenas em sermos verdadeiros, capazes de assumirmos as reais possibilidades, rejeitando os modelos pré-estabelecidos em função daquilo que se ajuste à realidade de cada sistema funcional.

O educador não deve ser posto em operação como rato de laboratório, sujeito aos testes pedagógicos insuficientes, até irreais dentro da perspectiva de sua concretização e implantação no plano educacional. Não devemos servir como cobaias que são levadas a motivar, motivar e motivar experiências às custas da simples sobrevivência.

Ao mestre, educador, cabe o papel exigido pelo sistema, de estar sempre se aperfeiçoando em prol do bom desempenho das suas funções. Esta é a nova dinâmica social: a exigência mercadológica que faz da função de educador um perpétuo desafio, uma luta incessante que antes de se tornar motivadora de resultados deve ser motivada a produzir resultados em si mesmo, para depois ser capaz de produzir resultados positivos em outros. Transformar a realidade do educador é o primeiro grande passo para poder transformar a realidade dos que o rodeiam, dos que dele dependem, sentir, e receber motivação para tanto é causa, cujo efeito maior será a transferência desta transformação para o plano real, onde o mestre motivado, torna-se um infinito motivador.

Flaviano Batista de Sousa Professor de Geografia, licenciado pela UFPB, Bacharel em Direito pela UFCG, Sousa - PB.
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