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Pré-História Brasileira, uma necessidade

     Ao estudarmos a História de nosso país devemos buscar nossas raízes mais profundas, para podermos chegar a algo mais próximo da realidade. Diante disso não podemos descartar os primeiros brasileiros, que viveram aqui bem antes do encontro entre as três raças, o europeu, o indígena e o negro africano nos séculos XV e XVI. Estes primeiros povos que habitaram nosso chão foram os homens pré-históricos brasileiros.

     Nossos livros didáticos estão carentes desta temática. Alguns sequer tratam da pré-história brasileira, enquanto outros colocam-na apenas em textos complementares. Estas obras mostram o descaso pelo tema e/ou desconhecimento das importantes pesquisas feitas no país que já estão revolucionando as teorias de ocupação do continente, derrubando a teoria Clóvis e as oposições aos nossos estudos por parte de pesquisadores norte-americanos.

     Achados como em Lagoa Santa - Minas Gerais onde foi encontrado o fóssil humano mais antigo do Brasil denominado Luzia (em referência a Lucy, o mais antigo fóssil de um hominídeo, de 2 milhões, encontrado na África), com traços negróides apontam para uma ocupação oriunda da África, desbancando a teoria de ocupação e datação pelo Estreito de Bering.

     Os achados mais surpreendentes vem da Serra da Capivara - Piauí onde Niède Guidon com suas pesquisas aponta para uma presença humana superior a 58.000 anos, sem nenhuma dúvida após confirmação agora em 2007 por laboratórios norte-americanos e franceses e confirmado por Walter Neves, o bioantropólogo brasileiro que sempre a questionou. Além do número enorme de desenhos que, juntamente com utensílios de pedra, ossos e vestígios de fogueiras provocam uma revisão da história do homem americano. É preciso ressaltar também que o Nordeste brasileiro teve uma importante população pré-histórica. Por exemplo, a região sudeste do Piauí ocupa uma zona de fronteira entre duas grandes formações geológicas que se caracterizava pela diversidade de seus ecossistemas e pela abundância e diversidade dos produtos naturais, o que resultou em uma população relativamente numerosa, com longa duração no tempo e com um padrão social que permitiu a evolução das tecnologias, tanto as de sobrevivência como as ligadas à vida espiritual, segundo Guidon. Essa riqueza muitos nordestinos simplesmente desconhecem.

     Torna-se então imperativo que estas pesquisas prossigam e possam ser amplamente divulgadas na comunidade acadêmica e escolar; que os governos possam investir fortemente neste nosso patrimônio cultural para que novos estudos possam ser feitos; que haja a preservação destes sítios arqueológicos que foram muitas vezes danificados por obras governamentais e por populações que desconheciam tal importância.

     É urgente que a sociedade conheça estas pesquisas para que possa colaborar ou pelo menos não destruir com o andamento das pesquisas pressionando as autoridades e ajudando na preservação deste rico patrimônio. A Pré-História brasileira precisa ser escrita, pois os nossos antepassados, os pré-históricos brasileiros, produziram ferramentas, caçaram animais da megafauna, pintaram belíssimas obras nas rochas, fizeram história, e por isso não podem ser ignorados. É urgente a inclusão destes conteúdos nos livros didáticos para o estudo e ensino por todos os estudantes, sob pena de não estarmos dando a devida importância a nossa história, a história dos primeiros brasileiros.

Adilson Luiz Guilhermino de Lima,
Professor de História.
Endereço eletrônico: adildartson@bol.com.br
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