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Os projetos e trabalho como estratégia de inclusão

     A educação a muitos séculos tem sido colocada como espaço de transformação e de solução para os problemas que a humanidade vivencia, porém a história registra que em grande parte das vezes quando as mudanças são efetivadas, dentre os fatores que as tornaram possível, a educação não aparece. Atualmente, também, alardeia-se a importante tarefa de a educação possibilitar ou gerar as mudanças que tanto a sociedade que ver acontecer. Neste momento, vivenciamos projetos que desejam ser favorecedores de práticas inclusivas em vários setores sociais e nas escolas. Vejo a organização curricular por Projetos de trabalho como sendo um importante e diferencial elemento de inclusão, porque constrói uma outra lógica educativa, centrada na aprendizagem dos alunos considerando suas características singulares quanto ao desenvolvimento, interesse e experiências vivenciadas. Estes são diferenciados, pois, “...a organização dos Projetos de trabalho se baseia fundamentalmente numa concepção da globalização entendida como um processo muito mais interno que externo, no qual as relações entre conteúdos e áreas de conhecimento têm lugar em função das necessidades que traz consigo o fato de resolver uma série de problemas que subjazem na aprendizagem. Esta seria a ideia fundamental dos projetos. A aprendizagem, nos Projetos de trabalho, se baseia em sua significatividade, à diferença dos Centros de interesse...”. (Hernandez, pg. 63)

     Penso que os Projetos de trabalho, significam um avanço nas práticas de inclusão, complexificando as ações pedagógicas, muito além do que viemos e vimos fazendo nesta perspectiva, até então, pois somente realizar algumas atividades isoladas, contribui, porém, se nossos alunos não forem oportunizados a vivenciar uma escola inclusiva e, isto, passa por modificarmos nossa estrutura geral de escola, pouco poderemos esperar de mudanças sociais significativas. Cabe aqui nestas breves considerações nos perguntarmos quem queremos incluir? Como acreditamos que isso pode ser feito? Qual o grau de envolvimento que quero ter com estas questões da contemporaneidade? Quem pode dizer que está incluído? Quais os sentimentos envolvidos na inclusão/exclusão?

     Diante destas e de outras perguntas quero, de início, dizer que como educadora ao organizar as aulas de história, nas séries finais do ensino fundamental, por Projetos de trabalho, oportunizo aos alunos um processo de inclusão por serem respeitados em suas diferentes aprendizagens, pela leitura não rígida das concepções pedagógicas baseadas nas teorias piagetianas, pela busca de compreensão do que ainda não foi aprendido, e isto constituindo-se como referência de avaliação e de planejamento, por trabalhar numa lógica ainda incompreendida por meus pares e esta reflexão se constitui numa forma de procurar inclusão.

     Organizar as aulas através de Projetos de trabalho, segundo Hernández (1998, pág. 61) implica na organização dos conhecimentos escolares não em uma ordenação para sua compreensão de uma forma rígida, nem em função de algumas referências disciplinares preestabelecidas ou de uma homogeneização dos alunos. Também possui este trabalho (1998, pg. 27) o sentido de diversidade e de aprendizagem pessoal. Isto significa construir a partir do planejamento pedagógico uma prática inclusiva.

     Esta experiência pedagógica representa um desafio por esta forma de organização pedagógica ser alternativa de planejamento de aulas, por envolver toda a estrutura escolar, por ser possível realizar como metodologia, por passar a favorecer ao aluno aprender a ser sujeito participante inclusive do planejamento pedagógico de suas aprendizagens, que tradicionalmente se constitui única e exclusivamente tarefa do professor. Acredito que esta prática, além de ser inovadora, já que altera os pressupostos paradigmáticos fundantes da práxis docente, também é capaz de motivar os alunos a aprenderem, a se responsabilizarem por escolhas e decisões conscientes, autônomos e também os tornam exigentes quanto a suas argumentações, pressuposto esse que os impulsiona a desenvolverem-se como pesquisadores.

Referência bibliográfica:

HERNÁNDEZ, Fernando. VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

Lezilda Maria Teixeira,
Professora da rede municipal de ensino de Bento Gonçalves, RS.
Endereço eletrônico: lmteixei@yahoo.com.br

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