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O papel da escola diante da modernidade

     A sociedade passa por mudanças profundas. A globalização configura países, empresas e a própria sociedade. O sonho de um mundo mais harmônico se esvai após poucos anos do fim do século XX. Novos projetos de ser humano, mundo e sociedade revelam velhas formas de articulação do capital em busca da ampliação dos mercados de consumo.

     Presenciamos o mundo marcado por importantes e urgentes questões: a influência dos novos meios de comunicação, informática e telemática. O ser humano arbitrariamente destrói seu ecossistema (poluição, guerras, miséria, fome). O meio urbano perde sentido numa atmosfera de cidade sem lei, marcada pela violência, tráfico de drogas e corrupção. Enfim, um quadro de perplexidade diante da metáfora de uma sociedade movida pelo aparente sucesso.

     A globalização defende o modelo social de um mercado econômico acessível a todos. Um discurso sedutor e falacioso. O desmonte do Estado moderno é única resposta para a crise do capital, afirmam os estudiosos do mercado. As garantias sociais de emprego, educação, saúde etc. são esmagadas por um mercado arrebatador e cruel.

     A exclusão social é o resultado de uma economia sem coração, cujo objetivo principal é a manutenção do consumo para um grupo de habilitados consumidores – a elite econômica local e mundial.

     Para Marrach (1996), o neoliberalismo é uma ideologia que procura responder à crise do Estado nacional, ocasionado pelo processo de globalização, isto é, o processo de interligação crescente das economias das nações industrializadas por meio do comércio e das novas tecnologias.

     As políticas neoliberais defendem os interesses do consumidor e não do cidadão. O Estado é reorganizado pela lógica do capital. Novos tempos para velhas farsas. O desmonte estatal favorece os grandes sistemas empresariais de arrecadação de lucros imensuráveis no jogo do mercado. O Estado é substituído pelo mercado na organização da sociedade e na distribuição das riquezas para empresas e entidades movimentadoras do capital.

     Para a mesma autora, o neoliberalismo parte do pressuposto de que a economia internacional é auto-regulável, capaz de vencer as crises e, progressivamente, distribuir benefícios pela aldeia global, sem a necessidade de intervenção estatal. Enquanto o liberalismo tinha por base o indivíduo, o neoliberalismo está na base das atividades do FMI, do Banco Mundial, dos grandes conglomerados e das corporações internacionais. A liberdade que postula é a liberdade econômica das grandes organizações, desprovida do conteúdo político democrático proposto pelo liberalismo democrático.

     Para Gandin (1998), a forma pela qual a escola atual, que era eficiente para preparar trabalhadores para um processo de trabalho baseado no talylorismo/fordismo na execução de tarefas repetitivas, urge ser substituída por outra escola, agora mais ágil, capaz de responder às necessidades do novo mercado de trabalho. A escola precisaria responder às demandas da economia global assim como uma empresa.

     Agindo assim, a escola não descarta a formação de quadros de pessoal ajustados aos modelos produtivos. Então, nada contra a existência de um professor adaptado à nova realidade de escola formadora de consumidores em potencial: um repassador de conteúdos sem nenhuma ligação com a vida concreta dos alunos.

     Para Frigotto (2000), as políticas neoliberais produzidas por organismos internacionais barram os avanços de uma educação voltada para a vida e não para o mercado de consumo. A introdução contundente da lógica do mercado deve-se à intromissão de poderosos organismos internacionais – como o FMI, o Banco Mundial, a Organização Mundial de Comércio (OMC) –, que propõem reformas nos países emergentes, reforçando e restringindo a oferta da educação como mercadoria a ser adquirida mediante o pagamento de mensalidades, transformando a educação em simples serviço e objeto de consumo.

     Para concluir, a escola continua a ser um porto seguro diante dos ataques neoliberais. O projeto inclusivo de uma escola pública voltada aos interesses dos mais pobres, excluídos e necessitados deve nortear a prática dos educadores. Nossa contribuição na defesa da escola é indispensável no sonho e na ação por uma nova sociedade.

Bibliografia:

FRIGOTTO, Gaudêncio. Reformas educativas e o retrocesso democrático no Brasil nos anos 90. In: LINHARES, Célia. Os professores e a reinvenção da escola: Brasil e Espanha. São Paulo: Cortez, 2001.
GANDIN, Luís A. Para onde a escola está sendo levada? (ou a escola pode ser levada para algum lugar diferente daquele que o projeto hegemônico quer?). In: Brasília: Revista de Educação – AEC – Para onde vai a escola, nº. 107, abr/jun de 1998.

MARRACH, Sônia. Neoliberalismo e educação. In: GUIRALDELLI JR, Paulo. Infância, educação e neoliberalismo. São Paulo: Cortez, 1996.

João Cavalcante Filho,
Pedagogo e professor na rede estadual de ensino na E. E. Nilo Peçanha.
Endereço eletrônico: joao_c_filho@hotmail.com

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